
Através de um texto reproduzido da agência AP (Associated Press), a imprensa internacional descobriu que o carro feito e vendido no Brasil é de baixa qualidade. A matéria expõe pontos muito curiosos e reitera algo que a NCap latina já havia mostrado: em termos de segurança e qualidade, o Brasil está uns 20 anos atrasados em relação ao primeiro mundo.
A repostagem assinada por Bradley Brooks tem um título forte: “Carros brasileiros são mortais”. Ele utiliza dados sobre acidentes de trânsito (apontando números do Ministério da Saúde como fonte) e os resultados da própria Latin NCap. A conclusão atingida não é novidade para nós: os carros fabricados aqui não atingem os requisitos mínimos de segurança internacional.
Mas não pense que se trata dos modelos produzidos e vendidos aqui. Trata-se das unidades e da qualidade. Por exemplo, um Ford Ka brasileiro recebeu uma estrela em segurança (nota mínima) segundo testes a NCap. O mesmo modelo fabricado na Europa recebeu, em 2008, quatro estrelas segundo a mesma instituição. O mesmíssimo caso do Renault Sandero e inúmeros exemplos.
A reportagem ainda que 9.059 ocupantes de carros (motoristas e/ou passageiros) morreram em acidentes de trânsito no Brasil em 2010. Nos Estados Unidos, no mesmo período e nas mesmas condições, o total de mortes chegou a 12.435. Porém o texto faz ressalva de que a frota circulante nos EUA era cinco vezes maior que a brasileira no período.
“Na verdade, os dois países seguem em direções opostas no que diz respeito às taxas de morte: os Estados Unidos registraram 40% menos mortes em acidentes de carro em 2010, na comparação com a década anterior. No Brasil, o número de mortos subiu 72%, de acordo com os últimos dados disponíveis [do Ministério da Saúde]“, relata Brooks em sua reportagem.
Os motivos? Segundo Brooks, a “tragédia nacional” (como ele mesmo nomeia em sua matéria) ocorre por “soldas mais fracas, itens de segurança escassos e materiais de qualidade inferior”.
Os principais responsáveis, obviamente, são os fabricantes. A repostagem da AP aponta o corte de custos como uma das principais justificativas para a baixa qualidade dos carros daqui. Mas a NCap discorda veementemente desse motivo.
O argumento da NCap é simples. Primeiro que a segurança não deve ser menos importante que o lucro. Segundo que o lucro dos fabricantes no Brasil é estratosférico. “As fabricantes obtêm até 10% de lucro sobre os carros fabricados no Brasil, bem mais em comparação aos 3% nos EUA e à média global de 5%, segundo a IHS Automotive, uma empresa de consultoria do setor automotivo”, afirma o próprio Brooks.
O diretor técnico da NCap latina e europeia, Alejandro Furas, afirmou que um jogo completo de airbags (para motoristas e passageiros) não custa nem R$150 para a montadora, mas é vendido como opcional de quase R$1.000. Apesar de uma questão de mercado, Furas afirma que a culpa jamais pode cair sobre o consumidor, que é vitima nesta situação.
“O consumidor brasileiro não está acostumado a comprar carro usando a segurança como critério, mas não se pode culpá-lo, uma vez que do modelo básico e pelado ao topo da gama, já equipado com itens de segurança, a diferença de valores pagos pode variar entre 25% e 30% (…) Mesmo na Europa, onde os preços são mais justos, o consumidor não cobra segurança, obrigação que é do governo e das autoridades do sistema viário. No Brasil, como o Governo não cuida disso e as montadoras são negligentes, o consumidor fica sem ação”, conclui o diretor.
Triste realidade.
Se quiser ler a matéria original (em inglês), clique aqui.