
Hoje escreveremos sobre o travado e insuportável trânsito de São Paulo, mas o debate funciona para quase todas as capitais brasileiras. A metrópole paulistana só será pauta por conta de uma entrevista dada pelo prefeito eleito Fernando Haddad (PT) para o programa Roda-Viva da TV Cultura.
Na ocasião, em meio a perguntas sobre todos os problemas da cidade, o trânsito e o transporte coletivo foram citados.
Haddad fez uma colocação muito sóbria: o cidadão tem direito de ter um carro. Assim ele já mostrou uma posição diante de um “anticarrismo” geral. Mas, ainda muito sensato, o prefeito afirmou que o ideal seria se o transporte privado fosse utilizado apenas para o lazer, deixando o cotidiano nas mãos do transporte público coletivo.
Ideologicamente falando, a colocação é quase perfeita. Desde que haja um transporte público coletivo para isso.
Se pensarmos na Europa, a coisa funciona bem: ter um carro é desnecessário e até inútil em algumas cidades grandes, pois a malha ferroviária do continente permite o uso de trens tanto no cotidiano quanto para viagens internacionais. Algumas cidades planas, a bicicleta ainda substitui o carro e é alternativa para o trem.
Nos EUA funciona diferente, pois muito se deve ao histórico culto urbanístico do país, que coloca o carro como uma espécie de objeto de poder. Ainda assim, o comércio estadunidense é afastado (no geral) das grandes aglomerações.
O senão da análise de Haddad está justamente na insuficiência do transporte público paulistano (tanto na esfera estatal quanto municipal, esta sendo um pouco melhor que aquela) e na cultura herdada dos EUA em relação ao automóvel.
Seria perfeito, sem dúvida, se o transporte coletivo sanasse as necessidades população, tanto para o cotidiano quanto para o lazer. Mas isso ainda não passa de um sonho distante e difícil de acreditar.
Seria completamente injusto coibir o uso do automóvel – para qualquer fim – de um cidadão. Mas é ainda pior não existir alternativas viáveis, baratas e seguras no transporte público. Por enquanto, os cidadãos continuarão perdendo inúmeras e preciosas horas de suas vidas vendo a lanterna traseira de outro automóvel. O trabalho do próximo prefeito é complicadíssimo caso ele realmente queira que o uso do transporte público seja atraente.
desta forma e baseado em uma pesquisa, chegamos a conclusão que ele não é o pior do mundo.
Lagos até o domingo (04/04).
que seja - para tentar fugir da infração sem corromper o guarda de trânsito com dinheiro ou outras atitudes erradas.

